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Assédio sexual na infância: como reconhecer sinais de abuso na criança
Mudanças de comportamento, hematomas, pesadelos... Especialistas apontam os principais sinais de assédio sexual na infância e o que fazer caso seu filho seja vítima de abuso
O Outro Lado do Paraíso

Na novela O Outro Lado do Paraíso, Laura (Bella Piero) foi abusada sexualmente por seu padrasto Vinícius (Flavio Tolezani) – Foto: Rede Globo/Divulgação

Desde de que a novela O Outro Lado do Paraíso começou a abordar o assédio sexual vivido por Laura (papel de Bella Piero) durante a infância, não se fala de outra coisa. Entre cenas fortes e comoventes, o assunto ganhou ainda mais força quando sua mãe Lorena (Sandra Corveloni) ficou do lado do padrasto agressor, garantindo nunca ter notado nenhum sinal do abuso infantil.

Casos de violência e assédio sexual na infância são mais comuns do que se imagina. Segundo dados do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), 70% das vítimas de estupro do país são menores de idade. Alarmante, né? Entre 2012 e 2015 o Disque Direitos Humanos registrou mais de 120 mil casos de abuso sexual contra crianças e adolescentes – o equivalente a três ataques por hora.

Mas como identificar o abuso sofrido por uma criança? De acordo com a psicóloga Maria Angela Gobbo, especializanda em educação e terapia sexual, normalmente a confirmação do assédio sexual na infância não vem em um sinal só, mas em um conjunto de indicadores. “Ao notar qualquer um desses sinais, é imprescindível passar a criança pela avaliação de um especialista”, diz.

Abaixo, uma lista com os sete sintomas mais comuns indicados pela Childhood Brasil– organização que trabalha para influenciar a agenda de proteção da infância e adolescência no país. Fique de olho!

1. Mudança de comportamento! “Essas mudanças são facilmente identificadas uma vez que acontecem de maneira brusca e repentina”, diz a expert. Quer um exemplo? No caso de abuso, é normal que o pequeno passe a apresentar medos que não tinha antes – como medo do escuro, de ficar sozinho… – Ou até mesmo alterações de humor. “Se uma criança super falante e extrovertida passou a ser agressiva, reclusa e isolada, algo está errado”.

É importante ter em mente também que a mudança de comportamento pode ser focada em uma pessoa específica, no caso o possível agressor. Aí, é natural que ela não queira ficar sozinha com ele em casa (seja ele o pai, tio, avô ou padrasto), ou que se recuse a fazer uma atividade extracurricular ou brincar na casa de amigos (caso o agressor seja um professor ou vizinho).

2. Aproximação incomum! Enquanto algumas crianças demonstram rejeição em relação ao abusador, uma proximidade excessiva também pode ser sinal de assédio sexual na infância. Sabia que 80% dos casos acontece dentro de casa, por pessoas da família?

Notou um interesse incomum de membros mais velhos (como tios e primos) pela criança, especialmente em situações em que os dois ficam sozinhos e sem supervisão? Redobre a atenção imediatamente! “Nesse tipo de relação o abusador muitas vezes manipula a vítima emocionalmente e trabalha a confiança da criança a fim de que ela não conte o que tem passado. Esse silêncio, entretanto, pode gerar a sensação de culpa e, em casos ainda mais graves, depressão, autoflagelação e até suicídio”, explica a psicóloga Rosa Ferreira, especialista em violência sexual infantil.

3. Regressão! Maria Angela Gobbo aponta a volta repentina de comportamentos infantis como outro alerta a um possível assédio sexual. Coisas simples, como fazer xixi na cama ou voltar a chupar o dedo – hábitos que já haviam sido abandonados – ou até mesmo comportamentos infantis (birra e choro sem motivo) são avisos comuns de possíveis traumas, mesmo que de maneira não verbal.

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4. Segredos e chantagens! Uma forma simples de garantir que a criança não fale sobre o abuso é fazendo ameaças de violência física ou até chantagens, como a exposição de fotos e outros segredos. Outra prática comum do abusador é “comprar” o silêncio da criança com presentes, dinheiro ou qualquer outro bem material. Por isso, é superimportante explicar para os pequenos que eles não devem nunca manter segredos com outros adultos que não sejam de confiança (em especial a mãe) e questionar a presença de novos presentes e brinquedos.

5. Novos hábitos! Uma vítima de assédio sexual na infância também pode apresentar alterações de hábito repentinas, que vão desde o seu desempenho na escola, até mudanças na alimentação ou forma de se vestir. “Em casos de abuso, é natural a criança não querer tomar banho ou trocar de roupa, assumir uma aparência descuidada, parar de comer ou até comer demais. Isso nada mais é do que uma forma de ‘proteção’ desenvolvida por ela”, explica Rosa Ferreira. Gagueira, dificuldade para dormir ou pesadelos também são fortes indicativos.

“Na medicina fazemos o chamado ‘diagnóstico diferencial’ a fim de identificarmos se os motivos da mudança repentina nos hábitos e atitudes da criança são resultados de assédio sexual ou de outros traumas, como a perda de alguém querido, a separação dos pais, bullying… Por isso o acompanhamento por um especialista assim que for notado qualquer sinal anormal no comportamento do pequeno é fundamental”, ressalta dra. Maria Angela.

6. Questões de sexualidade! Seja em forma de desenho, variação na linguagem ou “brincadeiras” de cunho sexual, qualquer mudança brusca em relação à sexualidade pode ser um indicativo de abuso. Entre elas, as mais comuns são:
– Desenhos em que aparecem genitais (principalmente se a criança nunca falou sobre sexualidade abertamente)
– Palavras e brincadeiras de caráter sexual (muitas vezes uma reprodução do comportamento do abusador)
– Interesses públicos por questões sexuais, como beijar, abraçar e acariciar familiares onde não deveria
– O uso de palavras diferentes das aprendidas em casa para se referir às partes íntimas

7. Marcas físicas! No caso da personagem Laura, da novela O Outro Lado do Paraíso, os sinais de assédio sexual na infância eram óbvios e visíveis – marcas físicas que podem, inclusive, serem usadas como provas à Justiça. “Qualquer marca ou hematoma sem motivo aparente deve ser questionado. É importante ficar atenta também a possíveis traumatismos, como dores e inchaços, especialmente nas regiões genitais”, indica Rosa Ferreira.

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Sinais encontrados. O que eu, como mãe, posso fazer?
Ao identificar um ou mais dos sinais citados acima, o recomendado é, antes mesmo de conversar com a criança, procurar a ajuda de um psicólogo especializado nesse tipo de questão. “Ao se sentir culpada ou envergonhada, é comum que a criança não revele verbalmente que está vivendo ou que passou por uma situação de abuso. Por isso, o especialista vai ser capaz de ensinar aos pais como abordar o assunto com os pequenos de maneira que eles se sintam confortáveis e confiem em quem está oferecendo ajuda”, complementa a especialista.

Já dra. Maria Angela Gobbo recomenda: ouça todo o relato da criança de forma que ela se sinta acolhida e protegida. Não questione o que está sendo contado ou tente responsabilizá-la pelo ocorrido. Tenha paciência e deixe que ela revele os fatos de acordo com sua vontade, sem exigir ou força-la a contar mais detalhes. Faça perguntas de maneira lúdica e explique que um segredo revelado à pai e mãe continua sendo segredo – ela não precisa ter medo de se abrir. E mesmo sem ter certeza de que ela foi abusada sexualmente, procure a ajuda de um especialista. Ele saberá trabalhar para que todo e qualquer trauma seja curado uma vez que as formas de abordagem e tratamento variam de caso para caso.

“O tempo de tratamento depende da capacidade de superação de cada um, mas é comum que hajam sequelas na vida sexual ou afetiva da pessoa abusada, além de depressão, estresse pós-traumático e ansiedade”, explica Gobbo. O importante é evitar expor a criança ou adolescente às memórias do abuso o tempo todo. O problema deve ser encarado como uma ferida: é preciso deixar que ela sangre, feche e cicatrize. Quando mais você mexer, mais difíceis serão as chances de cura.

Por fim, vale a pena também acionar o Sistema de Garantia de Direitos por meio do Conselho Tutelar, o Centro de Referência Especializado da Assistência Social (CREAS) ou a Vara da Infância e da Juventude para encontrar caminhos para uma resposta mais adequada. Toda ajuda é bem-vinda.

Bjs,
Fabi Scaranzi

*Para entrar em contato com o Disque Denúncia basta ligar para o número 100
*Imagens: Shutterstock


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