Especial: Vacinas! Saiba quais e quando tomar

Você merece um prêmio por manter a carteira de vacinação das crianças sempre em dia, mas será que não está esquecendo de nada? Isso mesmo, da sua! Se você não se lembra quando foi a última vez que checou o seu registro de vacinação, essa matéria é para você. Saiba quais são as vacinas que você não pode deixar de tomar

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Engana-se quem pensa que vacina é coisa de criança. Em muitos casos, o efeito da vacina se atenua com o tempo, de modo que elas podem e dever ser tomadas durante a vida adulta. Quem garante é Jacyr Pasternak, infectologista do Hospital Israelita Albert Einstein. Se o seu registro de vacinação está desatualizado por puro esquecimento, falta de tempo ou até mesmo medo das famosas picadinhas, aqui vai um bom motivo para você repensar suas atitudes: A imunização é um ato de cidadania, pois ao se proteger você poupa o organismo de novas doenças e ainda livra a sociedade de transmiti-las. Por isso, até quem não pode ser vacinado se beneficia da imunidade coletiva, resultando na não circulação de agentes infecciosos em ambientes públicos como escritórios, shoppings, academia… O único porém é que nem todas as vacinas para adultos estão disponíveis gratuitamente em postos de vacinação públicos, como acontece com as infantis. Grande parte delas só é encontrada em clínicas de vacinação particulares e não custam barato. Pensando duas vezes? Lembre-se que o investimento vale a pena a longo prazo e não beneficiará somente a você, mas a todos que você ama. Por isso, pegue um papel e uma caneta e anote já quais são as vacinas que você não pode deixar de tomar.

Hepatite A e B: É fundamental que as vacinas para hepatite A e B sejam tomadas ainda na infância, entretanto, se você notar que elas estão em falta na sua carteirinha de vacinação, elas podem e devem ser tomadas o quanto antes. A incidência da hepatite A está em alta no país, uma vez que ela é fácil de ser contraída – por meio de água e alimentos contaminados. Ela é altamente indicada para adultos que não possuem imunidade contra o vírus, o que pode ser comprovado através de um exame de sangue. Já a hepatite B, transmitida na relação sexual ou pelo contato direto com o sangue de pessoas contaminadas ao compartilharem agulhas, seringas e até instrumentos de pedicure mal esterilizados, pode causar infecções crônicas no fígado, podendo evoluir para quadros de cirrose até mesmo câncer. Vale lembrar que as vacinas que não tem efeitos colaterais graves e, por ter um período de incubação longo, Jair afirma que a da hepatite B raramente precisa ser tomada novamente. “Se a pessoa tiver contato com o vírus, há o que chamamos de reação anamnéstica e os anticorpos voltam a subir, protegendo o organismo do já vacinado.” São necessárias duas doses da hepatite A. Cada uma custa cerca de 160 reais nas clínicas privadas. Já a vacina contra hepatite B é tomada em três doses, fornecidas para homens e mulheres de até 49 anos. Cada dose custa, em média, 95 reais.

Gripe: Deve ser dada anualmente já que imuniza contra três cepas do vírus influenza, reduzindo as chances de doenças pulmonares graves. “A vacina é dada pelo governo em campanhas anuais, e é recomendada para grávidas, crianças pequenas, pacientes com doenças pulmonares crônicas como asma, pacientes com anemia falciforme, ou imune deprimidos”, ressalta Jair. Por ser uma vacina de vírus inativo, não existe o risco de disseminação nestes pacientes. O preço nas redes privadas? Em média, 75 reais.

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Varicela (catapora): Deve ser aplicada em adultos que não contraíram catapora, ou até naqueles que têm dúvida se já tiveram ou não as conhecidas bolhinhas vermelhas pelo corpo durante a infância. Ela não apresenta qualquer risco de reaplicada em que já foi vacinado. Por que é importante toma-la? Se adquirida durante a gravidez, a varicela pode levar ao aborto! Quer mais um bom motivo? A mesma vacina que protege contra a catapora, mantém o corpo imune de doenças como a caxumba, rubéola e sarampo, já que todas são causadas pelo mesmo vírus. A vacina, dada em duas doses, custa cerca de 170 reais cada.

Tríplice bacteriana (difteria, tétano e coqueluche): A vacina dupla para adultos (tétano e difteria) deve ser tomada a cada 10 anos, já a clássica vacina da coqueluche não pode ser usada em adultos pelos efeitos colaterais, mas a nova vacina acelular pode e deve ser dada junto com a de difteria e tétano. Uma das razões da recrudescência de coqueluche é o número de adultos não imunes. “Adultos contaminados podem transmitir a doença para crianças pequenas, podendo leva-las a adquirir doença grave ou até a morte”, diz o infectologista. A vacina tríplice bacteriana protege ainda contra a difteria, doença que ataca as amígdalas, podendo causar asfixia, e o tétano, que compromete o sistema nervoso central, causando a rigidez dos músculos. Em alguns casos, apresenta reações no local da picada, como vermelhidão, dor e inchaço. A dupla bacteriana deve ser tomada até os 59 anos pelo preço de 190 reais nas clínicas particulares, ou gratuitamente nos postos de saúde.

Tríplice viral (caxumba, sarampo e rubéola): A caxumba é responsável pelo inchaço das glândulas salivares e é ainda mais grave em homens, já que também podem afetar os órgãos genitais. Já o sarampo e a rubéola causam sintomas semelhantes aos de resfriados comuns e se não forem diagnosticados a tempo podem causar malformações fetais em mulheres no início da gravidez. O lado ruim? As reações! Algumas pessoas apresentam febre, erupções na pele, dores e inflamações nas articulações. O lado bom? Sua dose é única e gratuita nos postos de serviço público para nascidos a partir de 1960. Quem prefere toma-la em clínicas particulares terá que encarar duas doses da picada, pagando até 65 reais cada.

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HPV: O ideal seria que todos tomassem a vacina, mas infelizmente hoje o serviço público só tornou a dose disponível para meninas. Em 2015, a campanha imunizará crianças de 9 a 13 anos. Adolescentes e adultos devem tomar a vacina, mesmo com vida sexual ativa, já que ela protege contra tipos de doenças com as quais ainda não travaram contato. A vacina apresenta poucos riscos e não tem contraindicações. O local da aplicação pode ficar inchado e vermelho por algumas horas. Na rede privada, cada dose custa aproximadamente 280 reais.

Febre amarela: Não é necessário tomar a vacina aonde não há risco de exposição. Como esta vacina apresenta certos riscos, pouco recomenda-se para quem não precisa. “Há uma indicação burocrática da vacina da febre amarela para quem viajar. A Índia por exemplo, tem o mosquito transmissor mas não tem a doença e nem quer ter – por isto ela só aceita no seu território pessoas vacinadas que venham de países onde a febre amarela existe”, explica Jair.

Pneumonia: Deve ser dada em idosos e está disponível gratuitamente em postos de saúde para quem já passou dos 60 anos. De acordo com o infectologista, ela pode ser tomada antes, a partir dos 50 anos, ou em pessoas onde a pneumonia tem maior risco, como pessoas com anemia falciforme, mieloma múltiplo, doenças pulmonares crônicas. Na rede privada custa, em média, 250 reais.

Herpes-zóster: Indicada para pessoas acima dos 50 anos, ela age contra o popular cobreiro – doença que produz lesões graves e dolorosas na pele. É uma vacina cara e por enquanto não está disponível nas redes públicas. Em clínicas de vacinação privadas, seu preço chega a 480 reais.

Doença meningocócica: Hoje, existe uma vacina quadrupla que previne contra quatro cepas da doença, mas infelizmente não está disponível em serviço público. Neste, entretanto, há uma vacina muito eficiente para meningo C. “Recentemente nos Estados Unidos foi disponibilizada uma vacina para meningo B, que provavelmente chegará ao Brasil assim que for autorizada pela ANVISA”, conta Jair. Clínicas particulares costumam cobrar, em média, 340 reais pela dose única.

Carteira de vacinação na mão, confira já se a sua está em dia. Afinal, tem algo mais importante do que a nossa saúde?

Bjs,
Fabi Scaranzi