Métodos contraceptivos: conheça suas opções!

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(Imagem: Shutterstock)

A discussão acerca do uso de anticoncepcional nunca esteve tão dividida. Enquanto alguns especialistas apoiam o uso da pílula, sugerindo inclusive o uso contínuo, outros alertam para os perigos do medicamento e para o risco de doenças mais sérias, como a trombose.

O importante é ter em mente que as pílulas não são a sua única opção. Existe uma série de métodos contraceptivos disponíveis no mercado para ajudar na prevenção de doenças sexualmente transmissíveis ou a evitar uma gravidez não planejada.

Independentemente do método que você escolher, é imprescindível consultar seu médico para ter certeza de que aquele contraceptivo é o mais recomendado pra você, afinal cada organismo reage de uma maneira e nem sempre o que funciona bem pra sua amiga, vai surtir efeito no seu corpo. “A partir do histórico clínico e do exame físico geral e ginecológico da paciente, o médico pode orientar o método contraceptivo, incluindo os métodos hormonais”, explicou o ginecologista dr. Sergio Podgaec em seu artigo ao Hospital Albert Einstein.

Dr. Sergio Podgaec garante ainda que há qualquer problema em não menstruar. “Mulheres que têm muita cólica menstrual, muito fluxo menstrual ou tensão pré-menstrual intensa podem se beneficiar bastante dessa opção”, diz no artigo. E continua: “Não há qualquer estudo científico que demonstre prejuízo em não menstruar a curto ou longo prazo e também não há relação entre não menstruar e o risco de trombose”.

Abaixo, o especialista listou todos os métodos contraceptivos, com suas vantagens e desvantagens. Só não se esqueça de conversar com o seu médico sobre cada um deles, ok? Só ele será capaz de indicar a melhor opção para atender suas necessidades.

Métodos contraceptivos femininos: escolha o melhor pra você!

Dispositivo Intrauterino (DIU)
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Como funciona?
São pequenas peças de plástico no formato da letra “T” ou do número “7”, com cerca de 2,5 a 3cm introduzidas no interior do útero. Podem ser utilizas com hormônio ou ter partes metálicas (cobre). Esse metal atua matando os espermatozoides e impedindo a fertilização. Já o DIU com hormônio libera pequenas quantidades de progesterona no interior do útero provocando alterações do endométrio (camada que reveste o útero) e do muco do colo uterino, dificultando a entrada dos espermatozoides e a sua sobrevivência.

Qual a sua eficácia?
Se usado corretamente o risco de gravidez é de 0,3% para o DIU de cobre e de 0,1% para o DIU hormonal.

Como se utiliza?
Ambos necessitam ser colocados pelo ginecologista e podem permanecer por alguns anos.

Qual é a sua vantagem?
Ambos os DIUs permanecem dentro do útero e garantem excelente eficácia contraceptiva. O DIU de hormônio tem como efeito colateral reduzir a menstruação, e pode ser útil para mulheres que possuem cólicas ou fluxo menstrual intenso.

Desvantagem?
O DIU de cobre pode aumentar o fluxo menstrual, além de provocar cólicas. Estes efeitos não são observados para o DIU de hormônio. Porém, este pode provocar dor mamária, oleosidade da pele e cistos ovarianos. Ambos não previnem DSTs.

Diafragma

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Como funciona?
Normalmente é de silicone, no formato de disco maleável, introduzido no interior da vagina de maneira a formar uma barreira na frente do colo uterino para não haver a entrada dos espermatozoides no útero. Deve ser introduzido no interior da vagina, previamente ao ato sexual, em conjunto com gel e creme espermicida, para melhorar sua eficácia e aplicação.

Qual a sua eficácia?
Se usado corretamente, o risco de gravidez é de 15%.

Como se utiliza?
A maleabilidade do disco permite que ele seja dobrado com os dedos e introduzido facilmente na vagina, á maneira de um absorvente interno, pela própria mulher. Entretanto, é necessária a orientação do ginecologista para o uso adequado e correto.

Qual a sua vantagem?
Liberdade para a mulher controlar a contracepção, não aparece após a sua acomodação e não é percebido pelo parceiro, independe de contraindicação quando comparado com outros métodos.

Desvantagem?
Deve ser retirado após 6 horas da última relação, apresenta eficácia inferior a outros métodos contraceptivos, pode causar infecção urinária, irritação local, alergia, necessidade de complementação do gel espermicida após cada relação, além de menor proteção para DSTs.

Camisinha feminina
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Como funciona?
É uma bolsa de plástico leve e frouxa, que se adapta a vagina e protege o colo do útero (parte inferior do útero), as paredes vaginais e se exterioriza na vulva, ficando a camisinha aparente. A penetração do pênis se faz no interior deste dispositivo, contribuindo para a prevenção de doenças sexualmente transmissíveis.

Qual a sua eficácia?
Se usada corretamente, o risco de gravidez é de apenas 5%.

Como se utiliza?
A própria mulher introduz a camisinha no interior da vagina com auxílio dos dedos, a semelhança de introduzir um absorvente interno. Não deve ser usada ao mesmo tempo com preservativo masculino. Pode ser introduzida algumas horas antes do contato sexual, mas deve ser substituída após cada relação.

Qual é a sua vantagem?
A própria mulher pode utilizá-la quando necessário, protege também contra doenças sexualmente transmissíveis (DSTs) e independe de contraindicação quando comparado com outros métodos.

Desvantagem?
A presença do dispositivo vaginal pode inibir o contato sexual, além de ter eficácia inferior a outros métodos contraceptivos, pode causar irritação local e alergia.

Contraceptivo hormonal oral (anticoncepcional)
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Como funciona?
Os contraceptivos orais (ou pílulas anticoncepcionais), podem ser combinadas com os hormônios estrogênio e progesterona, ou apenas progesterona. A principal ação é por interferência na ovulação, mas também modificam o endométrio e o muco do colo do uterino no sentido de dificultar a entrada e a sobrevivência dos espermatozoides.

Qual a sua eficácia?
Se usados corretamente, o risco de gravidez é de 0,3%.

Como se utiliza?
Ingestão diária de comprimidos. Dependendo dos tipos e da combinação hormonal, cada marca de pílula apresentará diferentes intervalos entre as cartelas, desde sete dias até o uso contínuo.

Qual é a sua vantagem?
Elevada eficácia contraceptiva, além de efeitos colaterais que podem ser desejáveis, como redução de fluxo menstrual e cólica, redução de acne e oleosidade da pele.

Desvantagem?
Em algumas mulheres podem provocar dor mamária, tontura, dor de estômago, alterações de humor e libido, ganho de peso, trombose, derrame (efeitos raros). Não protegem contra DST´s.

Contraceptivo hormonal injetável
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Como funciona?
Semelhante a pílula, isto é, com associação dos hormônios estrogênio e progesterona ou apenas progesterona. A diferença é que há um maior efeito sobre o endométrio e o muco do colo uterino.

Qual a sua eficácia?
Se usado corretamente, o risco de gravidez é de 0,3% por ano de uso.

Como se utiliza?
Mensal – Associação dos hormônios estrogênio e progesterona – é aplicada uma dose do contraceptivo por meio de injeção muscular mensal. Mantém fluxo menstrual nos intervalos das injeções.
Trimestral – apenas progesterona – com aplicação de dose a cada três meses. Suspende a menstruarão.

Qual a sua vantagem?
Apresenta elevada eficácia e não necessita da ingestão diária de comprimidos. No caso do injetável trimestral, a suspensão da menstruação pode ser útil ás mulheres com cólicas e fluxos elevados.

Desvantagem?
Ganho de peso, dor mamária, dor de cabeça, sangramento irregular. Não protege contra DSTs, não pode ser aplicado em mulheres que fazem uso de anticoagulantes pelo risco de formarem hematomas no local da injeção.

Contraceptivo hormonal – implantes
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Como funciona?
Pequenos tubos (como palitos de fósforo) de 3 cm, que contém o hormônio progesterona e são inseridos na pele, especialmente na região do braço. Podem atuar por até três anos liberando o hormônio. A ação é por interferência na ovulação. A diferença é que há maior atuação no endométrio e no muco, dificultando a sobrevivência dos espermatozoides, bem como, a sua entrada.

Qual a sua eficácia?
Se usado corretamente, o risco de gravidez é de 0,05%.

Como se utiliza?
O médico faz uma pequena anestesia na pele por onde introduz uma agulha especial para inserção do implante.

Qual é a sua vantagem?
Elevada eficácia sem a necessidade de lembrar-se de tomar comprimidos diariamente. Como suspende a menstruação, também auxilia no controle da dor em mulheres que tenham problemas menstruais.

Desvantagem?
Ganho de peso, dor mamária, dor de cabeça, sangramento irregular, queda de cabelo, diminuição de libido, depressão. Não protege contra DSTs.

Contraceptivo hormonal – anel vaginal
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Como funciona?
Anel de silicone maleável com cerca de 4 cm, que contém hormônio estrogênio e progesterona no seu interior. É introduzido na vagina onde se acomoda e permanece por três semanas liberando localmente seus hormônios que serão absorvidos pela mucosa vaginal para a circulação sanguínea. Os efeitos contraceptivos são os mesmos da pílula.

Qual a sua eficácia?
Se usado corretamente, o risco de gravidez é de 0,5% por ano de uso.

Como se utiliza?
A própria mulher introduz o anel no interior da vagina a semelhança do uso de um absorvente interno.

Qual é a sua vantagem?
Tem os mesmos efeitos da pílula sem ter que se lembrar de tomar comprimidos diariamente.

Desvantagem?
Pode provocar os mesmos efeitos colaterais da pílula, além de irritação vaginal e corrimento. Não protege contra DSTs.

Contraceptivo hormonal – adesivo cutâneo
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Como funciona?
Pequenos selos adesivos, com cerca de 2 cm, que se colocam firmemente a pele e liberam hormônios (estrogênio e progesterona) que são absorvidos e liberados na circulação sanguínea. Atuam como os contraceptivos hormonais orais.

Qual a sua eficácia?
Se usado corretamente, o risco de gravidez é de 0,3%.

Como se utiliza?
A própria paciente o selo, que é trocado a cada semana, sobre a pele de regiões de pouco atrito como nádegas, lombar, ombro.

Qual é a sua vantagem?
Elevada eficácia com facilidade de uso, sem a necessidade de se lembrar de utilizar.

Desvantagem?
Apresenta os mesmos riscos dos outros métodos hormonais, além de poder provocar irritação da pele. Não protege contra DSTs.

 

Fim das dúvidas? E fica a dica: independente do seu método, o uso do preservativo é indispensável!

Bjs,
Fabi Scaranzi

Como escolher o melhor anticoncepcional para você

(Imagem: Pinterest/fitsugar.com)
(Imagem: Pinterest/fitsugar.com)

Ao longo dos últimos 50 anos, a pílula anticoncepcional evoluiu muito: ela manteve sua principal função – 99% de garantia contra a concepção – e equilibrou os efeitos colaterais. Como? Diminuindo em até dez vezes a dose hormonal presente no primeiro anticoncepcional lançado no mercado em 1960, o Enovid 10.

Mas será que os anticoncepcionais estão liberados para todas as mulheres? Felizmente, sim! “Mas somente para aquelas em idade reprodutiva que desejam a contracepção ou que apresentem alguma doença onde o uso do anticoncepcional é indicado como tratamento”, explica Rosa Maria Neme, ginecologista e Diretora do Centro de Endometriose São Paulo

No caso da pílula, em especial, ela reduz as chances de desenvolvimento de alguns tipos de câncer, como ovário e endométrio, além de doenças como anemia e endometriose. Sem falar na diminuição do risco de gravidez indesejada.

Entretanto, existem hoje diferentes métodos contraceptivos. Dra. Rosa lembra que, atualmente os dispositivos intrauterinos (DIU) e os métodos de barreira (camisinha) são os mais utilizados pelas mulheres, principalmente por sua praticidade. Afinal, nem toda mulher é regrada o suficiente para tomar a pílula no mesmo horário todos os dias.
Mas como escolher o melhor método contraceptivo para você? “Isso dependerá de alguns fatores”, explica Rosa. Idade, doenças associadas, intolerâncias ao uso de alguns medicamentos e preferência da própria paciente por algum dos métodos disponíveis no mercado são fatores que podem (e devem!) ser avaliados.

Um mar de opções
Tanto as pílulas, quanto o anel vaginal, os adesivos e os métodos injetáveis têm suas indicações precisas de acordo com o perfil e histórico de cada paciente. São métodos bastante eficazes, que funcionam bloqueando a ovulação. Aqui, é preciso fazer uma avaliação sobre os seus hábitos e capacidade de se comprometer com a rotina. Se você for o tipo de mulher que consegue manter os horários organizados e tomar sua pílula religiosamente sempre no mesmo horário, ela pode ser a melhor opção para você. Já as mais esquecidas, podem tentar o uso do anel vaginal ou adesivos, uma vez que eles não requerem um comprometimento maior com a responsabilidade de lembrar da pílula diariamente.

No caso do adesivo aderente – mais conhecido como patch – ele deve ser colocado na pele (de preferência na região da barriga, braços, costas ou nádegas) e permanecer na mesma posição por uma semana. Esse método contraceptivo possui em sua fórmula a combinação de progestogênio e estrogênio, que são liberados na circulação de forma contínua por sete dias. Após três semanas de uso (que devem se iniciar no primeiro dia da menstruação), recomenda-se fazer uma semana de pausa.

Para quem gosta de praticidade, uma boa escolha é o anel vaginal. Um pequeno aro flexível e não absorvente contendo etonogestrel e etinilestradiol é colocado na parte superior da vagina, no formato de um 8, no quinto dia da menstruação, permanecendo ali durante 21 dias (três semanas). Deve-se então retirar o anel e fazer uma pausa de setes dias até que um novo anel seja colocado.

Já o Diu age impedindo a entregada do espermatozoide na cavidade uterina e causa uma atrofia do endométrio, fazendo com que parte das mulheres pare de menstrual com seu uso. “É um método bastante indicado para mulheres que apresentam doenças associadas a hipertensão e diabetes, por exemplo. Além de ser um bom método para o tratamento de doenças como endometriose”, diz a ginecologista.

Efeitos colaterais
Dra. Rosa Neme explica que atualmente a maioria das mulheres está apta a usar algum tipo de método contraceptivo, já que existem diferentes alternativas de pílulas, por exemplo, como por exemplo as com estrógeno natural, além de outros somente com progesterona, como é o caso do Mirena e de pílulas com o hormônio isolado. Atualmente, a baixa dose de hormônios presente nas pílulas tem a minimizar os efeitos colaterais, entretanto alguns sintomas ainda podem vir a ocorrer, principalmente se você tiver trocado de anticoncepcional recentemente:
– Dor de cabeça
– Inchaço
– Aumento de apetite
– Alteração de humor
– Náuseas e enjoos

Mirena, o queridinho do momento
Já ouviu falar do Mirena? Ele é um sistema em forma de “T”, feito de plástico, que é colocado dentro do útero com o intuito de liberar uma pequena quantidade de levonorgestrel, hormônio que impede a gravidez. Além de evitar que a mulher ovule em aproximadamente 50% dos ciclos, ele também dificulta a passagem dos espermatozoides, por isso é considerado um anticoncepcional extremamente eficiente. Os números também são bem promissores: o Mirena apresenta uma taxa de falha de 0,2%, ou seja, uma em cada 500 mulheres que usam Mirena pode vir a engravidar.

De acordo com a ginecologista, ele pode permanecer durante cinco anos dentro do útero e tem a vantagem de ter baixa dosagem de hormônio, não influenciando no ciclo hormonal (ovulação) e diminuindo o sangramento vaginal, podendo até suspender a menstruação. “A eficácia contraceptiva deste sistema é considerada superior aos medicamentos por via oral, já que não depende da tomada diária da paciente, que muitas vezes esquece”, explica.
Mas e os efeitos colaterais? Dra. Rosa Neme explica que um dos principais efeitos negativos do sistema intrauterino medicado com progesterona é a cólica menstrual esporádica que acontece principalmente nas mulheres que nunca tiveram filhos. Nos primeiros três meses de adaptação é comum também apresentar dores nas mamas, surgimento de espinhas e irregularidade menstrual. Além disso, cerca de 60% das mulheres param de menstruar definitivamente.

Muitos especialistas escolhem usar este dispositivo no tratamento clínico de qualquer grau de endrometriose, já que que ele libera diariamente uma dose definida de progesterona, hormônio que interfere na produção de estrógeno – responsável pelo desenvolvimento da doença, além da contracepção de mulher com alguma doença pré-existente, como diabetes, lúpus e hipertensão.

Vale lembrar que cabe ao profissional de saúde informar se este é o melhor método anticoncepcional para cada paciente. Em caso positivo, é necessário ir ao serviço de saúde ou consultório para iniciar o uso do Mirena, uma vez que sua colocação só pode ser feita por um profissional experiente.

Fim das dúvidas?

Bjs,
Fabi Scaranzi