De onde vêm as doenças? Do corpo ou da cabeça?

A princípio você está bem. A saúde parece estar em ordem. Daí você perde o emprego, ou briga com seu companheiro, ou perde um ente querido e começa sentir dores, um mero resfriado vira uma gripe que nunca cura, você sente mal estar… E quando se queixa e estranha, você ouve aquela máxima: “relaxa, você passou por um baque… pode ser só psicológico”… Será mesmo? Será possível um problema emocional evoluir para um mal estar, ou uma doença física? Já ouviu falar em psicossomatização?

Psicossomatizar é mais comum do que imaginamos

Psicossomatizar é algo mais comum e mais presente em nossas vidas do que podemos imaginar. Então, quando você procurar um dermatologista porque percebeu que “de alguns dias pra cá, essas espinhas surgiram no meu rosto e não há remédio que melhore”, pode significar que você tem se estressado bastante… É claro que não podemos descartar outras hipóteses e um exame específico poderá responder se você, de fato, não está com algum problema na pele. Mas vale ressaltar que problemas psicossomáticos não constam em exames. Ou seja, caso você faça aquela bateria de exames que seu médico pediu e todos eles dizem que vc está em “perfeito estado”, vale o alerta de procurar por um psicólogo, ou psiquiatra, para esclarecer suas dúvidas e encontrar, quem sabe, a raiz do seu problema.

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(Foto: historypsychiatry.com)

E ainda há casos mais graves. Doenças crônicas que são criadas ou se agravam a partir de um trauma. Se ela exigir medicação, o psiquiatra é o profissional que pode junto ao seu médico clínico, determinar a medicação e tratamentos mais indicados. Este esforço que envolve tanto saúde física quanto mental pode ser um trabalho conjunto interessante para ambos os profissionais, segundo Dra Carolina Hanna, psiquiatra da equipe da Clinica Arthur Guerra: “Muitas vezes a exaltação dos profissionais em relação a alguns diagnósticos ocorre devido a própria dificuldade e complexidade do mesmos. Existem quadros clínicos difíceis, em geral com problemas crônicos, para os quais os médicos clínicos não encontram causas físicas, orgânicas, e tampouco seus sintomas respondem aos tratamentos convencionais, e são portanto atribuídos a fenômenos psicológicos. Trata-se de um diagnostico diferencial desafiador”. A ciência, cada vez mais, estuda a conexão entre doenças físicas e mentais, e o conhecimento neste campo ainda vai evoluir muito. Basta pensarmos por exemplo, que os comportamentos alimentar e sexual, têm relação comprovada com componentes endócrinos, ou hormonais.

Como combater causas psicológicas que acarretem em problemas físicos

Manter a saúde mental em dia, seja com acompanhamento psicológico, psiquiátrico ou ambos, quando existe uma complicação emocional, é vital, segundo a Dra. Carolina. A prática de atividades físicas e boa alimentação sempre podem ajudar. O psiquiatra, de forma geral, está capacitado a fazer a avaliação mais ampla do que o indivíduo precisa, como se fosse uma triagem. A composicão genética individual é outra área do conhecimento que cresceu muito nos últimos anos e ainda cresce. Uma série de genes e marcadores biológicos podem estar presentes, ou não, no DNA – e, estando presentes, podem – ou não- se manifestar, em menor ou maior grau. Toda essa variação ainda é modulada pelo ambiente, ou seja, pelo comportamento do indivíduo e dos ambientes que o cercam. Uma doença sem causa conhecida ainda é um fenômeno muito complexo.

Doenças crônicas e auto-imunes

Existem também vários tipos e intensidades de manifestações de doenças, como as crônicas e autoimunes, que em geral são tratadas por reumatologistas, clínicos, endocrinologistas, e não há evidencias cientificas de que sejam atribuíveis a psique. Entretanto, a dra Carolina lembra que ” a experiência clínica nos mostra que pode, sim, haver alguma interface, especialmente na melhora ou agravamento de sintomas de acordo com o estado da mente, mas não há como comprovar um fenômeno causal. Para explicar melhor o processo orgânico de uma doença autoimune (quando o próprio organismo ataca a si mesmo, através de anticorpos), especificamente, caberia ao especialista que cuida da doença em questão.”

A saúde, sob o ponto de vista físico e mental

A avaliação psiquiátrica (na maioria das vezes é preciso mais de um encontro) é capaz de atestar o estado de saúde mental. Entretanto, vale ressaltar que a dinâmica com que os processos mentais se alteram é diferente da dinâmica dos processos físicos e, muitas vezes, um acontecimento, ou um trauma, são capazes de alterar este estado de saúde psíquica anteriormente atestado e consequentemente o físico também, se vier a reboque. Ainda segundo a Dra. Carolina, o estado de saúde mental terá impacto geral na saúde física, “seja através do maior auto-cuidado, como prática de atividades físicas e boa alimentação, para a prevenção de doenças, seja com uma melhor adesão aos tratamentos para doenças físicas, que muitas vezes são difíceis e dolorosos, ou seja ainda, para prevenir e ajudar nos sintomas de somatizacão para aqueles indivíduos que sofrem com este processo.”

A conclusão é que precisamos estar atentas. Não só a sintomas conhecidos de doenças, mas a angústias e tristezas que duram por um tempo muito prolongado e podem desencadear doenças físicas. Somos sentinelas da nossa saúde. Se nos sentimos abatidas, temos que buscar ajuda. Vamos atrás dela?

bj pra vcs
Fabi Scaranzi