O inverno chegou e com ele, aqueles problemas respiratórios que tanto dão trabalho. A sinusite ainda é a queixa mais recorrente nos consultórios médicos e não é à toa!
Esse aumento nos casos da doença deve-se muito mais pela aglomeração de pessoas em ambientes fechados (principalmente nos meses mais frios), do que pelas baixas temperaturas do inverno. Essa aglomeração permite um maior contato entre as pessoas e uma maior possibilidade de transmissão de microrganismos e vírus.
Para quem não sabe, a sinusite nada mais é do que uma inflamação das cavidades paranasais (conhecidos como seios da face), obstruindo a drenagem normal da secreção nasal. Como resultado sentimos sintomas comuns que podem facilmente ser confundidos com a gripe:
– Dor de cabeça, que pode se espalhar para os olhos e nariz;
– Dor de garganta;
– Dificuldade para respirar pelo nariz;
– Perda do olfato e paladar;
– Falta de apetite;
– Mau hálito;
– Tosse que piora à noite.
Além disso, pode surgir também febre acima de 38ºC e tonturas, especialmente nos casos de sinusite bacteriana. Nestes casos, é comum que as secreções nasais passem de amarelo para uma coloração esverdeada. “Um resfriado que se prolonga por mais de 10 dias com permanência dos sintomas de obstrução nasal, pressão na face e secreção amarelada, ou a chamada dupla piora, resfriado que estava melhorando, mas volta a piorar depois do quinto ou sexto dia, devem servir de alerta para que se busque uma avaliação médica”, explica o Dr. Mauricio Kurc, otorrinolaringologista do Hospital Albert Einstein.
Sinusite e as diferentes formas de tratamento
Diagnosticada a sinusite aguda, o tratamento é basicamente clínico, com o uso de soro fisiológico e sprays nasais, além de analgésicos para melhorar a dor e, eventualmente, antibióticos. Se os sintomas da sinusite continuarem por mais de oito semanas, podendo ou não, ser acompanhados de febre e secreção nasal com pus, a doença pode se tornar crônica. Somente um exame clínico em consultório com a inspeção da cavidade nasal, além de exames de imagem e tomografia computadorizada, poderão diagnosticar as causas da obstrução e qual a próxima medida tomar. “Além de prejudicar consideravelmente a qualidade de vida, a sinusite crônica pode levar a graves complicações, como a celulite periorbitária (processo infeccioso na região dos olhos) e a meningite pneumocócica, que apresenta elevado índice de mortalidade”, explica o Dr. Denílson Fomin, também otorrinolaringologista do Einstein.
E a cirurgia, ajuda?
Na maioria dos pacientes, a cirurgia para remover as secreções que estão obstruindo os seios da face é a única alternativa para melhorar a qualidade de vida do paciente.
No Brasil, a cirurgia – chamada sinuplastia endoscópica – apresenta resultados bem positivos. O procedimento é minimamente invasivo, feito com o auxílio de um endoscópio, que permite ao médico ter acesso e visualizar de forma ampliada toda a cavidade nasal para a remoção do fator obstrutivo. Dependendo do tipo de obstrução, podem também ser usados equipamentos de radiofrequência e de laser, evitando o uso do tampão nasal, muito usado no pós-cirúrgico dos procedimentos tradicionais.
Outra novidade interessante é o uso de balões acoplados ao uso do endoscópio. Introduzidos na cavidade nasal com a ajuda de uma guia, eles são inflados, dilatando os canais e facilitando a desobstrução. Vale a pena ficar de olho!
Deu pra ver que essa crença de que sinusite não tem cura está bem longe de ser verdade. São muitas as opções de tratamentos e poucos os casos que em a sinusite não pode ser totalmente reversiva. Qualidade de vida é um direito de todos, por isso se você sofre frequentemente com os sintomas da sinusite, não deixe de procurar por ajuda médica.
Bjs,
Fabi Scaranzi
*Imagens: Shutterstock