Câncer de mama: como se prevenir e tratar

A doença que atinge um grande número de mulheres anualmente tem cura, principalmente se for diagnosticada logo no início. Por isso, fique por dentro de suas causas e tratamentos, além, é claro, de descobrir a melhor forma de manter o câncer de mama bem longe

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(Imagem: Pinterest/MindBodyGreen)

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Os números são alarmantes: segundo a Estimativa sobre Incidência de Câncer no Brasil para os anos de 2014 e 2015, produzida pelo Instituto Nacional do Câncer (Inca), o país terá 576 mil novos casos de câncer por ano. Desses, 57.120 mil serão tumores de mama. Porém, a boa notícia é que, com os avanços no diagnóstico e as descobertas em tratamento, as chances de cura para este tipo de câncer no estágio inicial já chegam a 96%.

Por que será então que mesmo com o grande número de campanhas chamando as mulheres para exames periódicos e até mesmo sugerindo o autoexame, este ainda é o tipo de câncer que mais mata no Brasil? De acordo com Suzan Menasce Goldman, médica radialista e professora do departamento de diagnóstico por imagem da Unifesp, quando a população não passa por um rastreamento, o tumor é encontrado em estágio avançado, reduzindo drasticamente suas chances de cura. “São 22% de casos novos de câncer de mama a cada ano. Nos países desenvolvidos ele também o segundo tipo de câncer mais prevalente, mas suas taxas são menores porque a população é rastreada anualmente”, explica.

Importância do autoexame
Mesmo dividindo opiniões, para Suzan, a prática do autoexame é importante, sim. Porém, de forma isolada, não é eficiente para a detecção precoce do tumor e não substitui os exames feitos por profissionais, nem o rastreamento com mamografia. “Algumas vezes, ao nos apalparmos, sentimos algum carocinho que pode passar despercebido em mamografias. Em outros casos, pode ocorrer o “câncer de intervalo”, que são aqueles nódulos que aparecem com crescimento muito rápido e por isso não foram encontrados no rastreamento anual”, ressalta.

A médica afirma ainda que acredita no sexto sentido da mulher e que ele não deve nunca ser subestimado. “Nós sentimos quando há algo errado com o nosso corpo. Por isso, a importância de se tocar e procurar sentir o que incomoda. Se você tem a sensação de algo diferente nas mamas, bata o pé e peça um exame mais detalhado ao seu ginecologista”.

Atenção aos sintomas
O câncer em estágio inicial não apresenta sintomas, por isso a necessidade de realizar um exame anualmente. Agora, se você sentir alguma alteração nas mamas, deve urgente procurar seu ginecologista e pedir uma mamografia, uma vez que essas mudanças só ocorrem quando o tumor já está em um estágio mais avançado. Os sintomas mais comuns são:

– Pele repuxada
– Aparecimento de caroço ou área endurecida na região das mamas ou axilas
– Secreção vermelha ou cristalina
– Dor ou rigidez
– Nódulo palpável
– Retração do bico da mama
– Mudança no formato e tamanho dos seios
– Alteração da pele, como manchas, inchaço ou vermelhidão

Fatores de risco
A maioria das mulheres que apresentam câncer de mama, normalmente já possuem um histórico desse tipo de doença na família. Entretanto, alguns outros fatores também aumentam os riscos de incidência da doença:

– Quanto maior o número de glândulas na região das mamas, maior a chance do aparecimento de tumores
– Genética
– Uso exagerado de anticoncepcionais – uma vez que os hormônios aumentam a quantidade de glândulas e vascularizações das mamas
– Consumo exagerado de bebidas alcoólicas e cigarro
– Alimentação a base de gordura
– Falta de exercícios físicos
– De acordo com um estudo americanos, experiências que geram tristezas profundas, como a perda de entes queridos também aumentam as chances da manifestação da doença

De olho nos tratamentos
A ciência não para de pesquisar medicamentos e técnicas que liquidem o câncer de mama em todas as suas fases, mas, para Suzan Goldman, o melhor tratamento para a doença é descobri-la o quanto antes. “É fundamental estadiar a paciente diagnosticada com a doença. É preciso instrui-la quanto ao tamanho do nódulo, onde ele está localizado, se é único ou se existe mais de um”.

De acordo com o New England, maior publicação científica e médica do mundo, o uso da ressonância magnética é fundamental em casos de suspeita de tumores nas mamas e deve ser usada principalmente em pacientes com alto risco, como aquelas que possuem histórico de câncer de mama na família. “A ressonância vê muito mais do que a radiografia ou o ultrassom. Ela pode e deve ser usada em suspeitas que na mamografia não foram completamente diagnosticadas”.

Com a doença já confirmada, parte-se então para a radioterapia. A novidade, porém, é que em muitos casos previamente selecionados, ao invés da paciente passar pelo procedimento durante 30 dias, todos os dias, a radio seja feita durante a própria cirurgia de retirada do tumor, agindo como uma “limpeza” da mama.

A quimioterapia, apesar de mais agressiva, tem um efeito maior nos tratamentos da doença, uma vez que ela lê o “nome e sobrenome” de cada tipo de câncer. “Ela se direciona melhor para cada caso específico. Isso faz com que as mulheres que passam por este tipo de tratamento tenham uma sobrevida maior”, diz Suzan.

O melhor é prevenir
O câncer de mama cresce rápido em mulheres de 40 a 65 anos, por isso recomenda-se que a primeira mamografia seja feita aos 35. No Brasil, sugere-se que o exame seja feito anualmente ou bianualmente. Suzan, entretanto, é adepta a primeira opção. “Principalmente pacientes que são consideradas alto risco e possuem casos de câncer de mama na família (como mãe, irmãs, tias, primas e avós), é fundamental realizar o exame a cada ano”. A médica explica ainda que existe um questionário realizado pelos próprios ginecologistas para saber se você é, ou não, classificada como paciente de risco.

Lembre-se que o ultrassom é um exame complementar a mamografia e não deve nunca ser usado como avaliação única. Ele consegue enxergar a glândula, mas não tem o poder de dizer se esta é sólida, líquida, irregular… Por isso a importância da mamografia. Só ela conseguirá fazer o rastreamento dessas manchas e dizer exatamente o conteúdo dentro dela.

Mulheres com mais de 40 anos têm direito à realização anual da mamografia e ultrassonografia para diagnóstico na rede SUS – Sistema Único de Saúde. Agora, caso haja casos da doença na sua família, esqueça a regra dos 35 anos e realize exames em laboratórios particulares o quanto antes. “É fundamental iniciar a rotina de exames de mamografia dez anos antes da data em que foi diagnosticado o caso de câncer de mama na família”.

Lembre-se: não importa qual seja o seu caso, o melhor é sempre cuidar da sua qualidade de vida e da alimentação, além de fazer um check-up completo anualmente. Não existe segredo maior para uma saúde de ferro do que a prevenção!