Como escolher o melhor anticoncepcional para você

Hoje são diversas as opções de anticoncepcionais: DIU, pílula, adesivos... A escolha depende do seu histórico com medicamentos, idade, rotina e qualidade de vida. Será que você tem usado o melhor método contraceptivo para o seu organismo esse tempo todo? Descubra agora!

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(Imagem: Pinterest/fitsugar.com)

(Imagem: Pinterest/fitsugar.com)

Ao longo dos últimos 50 anos, a pílula anticoncepcional evoluiu muito: ela manteve sua principal função – 99% de garantia contra a concepção – e equilibrou os efeitos colaterais. Como? Diminuindo em até dez vezes a dose hormonal presente no primeiro anticoncepcional lançado no mercado em 1960, o Enovid 10.

Mas será que os anticoncepcionais estão liberados para todas as mulheres? Felizmente, sim! “Mas somente para aquelas em idade reprodutiva que desejam a contracepção ou que apresentem alguma doença onde o uso do anticoncepcional é indicado como tratamento”, explica Rosa Maria Neme, ginecologista e Diretora do Centro de Endometriose São Paulo

No caso da pílula, em especial, ela reduz as chances de desenvolvimento de alguns tipos de câncer, como ovário e endométrio, além de doenças como anemia e endometriose. Sem falar na diminuição do risco de gravidez indesejada.

Entretanto, existem hoje diferentes métodos contraceptivos. Dra. Rosa lembra que, atualmente os dispositivos intrauterinos (DIU) e os métodos de barreira (camisinha) são os mais utilizados pelas mulheres, principalmente por sua praticidade. Afinal, nem toda mulher é regrada o suficiente para tomar a pílula no mesmo horário todos os dias.
Mas como escolher o melhor método contraceptivo para você? “Isso dependerá de alguns fatores”, explica Rosa. Idade, doenças associadas, intolerâncias ao uso de alguns medicamentos e preferência da própria paciente por algum dos métodos disponíveis no mercado são fatores que podem (e devem!) ser avaliados.

Um mar de opções
Tanto as pílulas, quanto o anel vaginal, os adesivos e os métodos injetáveis têm suas indicações precisas de acordo com o perfil e histórico de cada paciente. São métodos bastante eficazes, que funcionam bloqueando a ovulação. Aqui, é preciso fazer uma avaliação sobre os seus hábitos e capacidade de se comprometer com a rotina. Se você for o tipo de mulher que consegue manter os horários organizados e tomar sua pílula religiosamente sempre no mesmo horário, ela pode ser a melhor opção para você. Já as mais esquecidas, podem tentar o uso do anel vaginal ou adesivos, uma vez que eles não requerem um comprometimento maior com a responsabilidade de lembrar da pílula diariamente.

No caso do adesivo aderente – mais conhecido como patch – ele deve ser colocado na pele (de preferência na região da barriga, braços, costas ou nádegas) e permanecer na mesma posição por uma semana. Esse método contraceptivo possui em sua fórmula a combinação de progestogênio e estrogênio, que são liberados na circulação de forma contínua por sete dias. Após três semanas de uso (que devem se iniciar no primeiro dia da menstruação), recomenda-se fazer uma semana de pausa.

Para quem gosta de praticidade, uma boa escolha é o anel vaginal. Um pequeno aro flexível e não absorvente contendo etonogestrel e etinilestradiol é colocado na parte superior da vagina, no formato de um 8, no quinto dia da menstruação, permanecendo ali durante 21 dias (três semanas). Deve-se então retirar o anel e fazer uma pausa de setes dias até que um novo anel seja colocado.

Já o Diu age impedindo a entregada do espermatozoide na cavidade uterina e causa uma atrofia do endométrio, fazendo com que parte das mulheres pare de menstrual com seu uso. “É um método bastante indicado para mulheres que apresentam doenças associadas a hipertensão e diabetes, por exemplo. Além de ser um bom método para o tratamento de doenças como endometriose”, diz a ginecologista.

Efeitos colaterais
Dra. Rosa Neme explica que atualmente a maioria das mulheres está apta a usar algum tipo de método contraceptivo, já que existem diferentes alternativas de pílulas, por exemplo, como por exemplo as com estrógeno natural, além de outros somente com progesterona, como é o caso do Mirena e de pílulas com o hormônio isolado. Atualmente, a baixa dose de hormônios presente nas pílulas tem a minimizar os efeitos colaterais, entretanto alguns sintomas ainda podem vir a ocorrer, principalmente se você tiver trocado de anticoncepcional recentemente:
– Dor de cabeça
– Inchaço
– Aumento de apetite
– Alteração de humor
– Náuseas e enjoos

Mirena, o queridinho do momento
Já ouviu falar do Mirena? Ele é um sistema em forma de “T”, feito de plástico, que é colocado dentro do útero com o intuito de liberar uma pequena quantidade de levonorgestrel, hormônio que impede a gravidez. Além de evitar que a mulher ovule em aproximadamente 50% dos ciclos, ele também dificulta a passagem dos espermatozoides, por isso é considerado um anticoncepcional extremamente eficiente. Os números também são bem promissores: o Mirena apresenta uma taxa de falha de 0,2%, ou seja, uma em cada 500 mulheres que usam Mirena pode vir a engravidar.

De acordo com a ginecologista, ele pode permanecer durante cinco anos dentro do útero e tem a vantagem de ter baixa dosagem de hormônio, não influenciando no ciclo hormonal (ovulação) e diminuindo o sangramento vaginal, podendo até suspender a menstruação. “A eficácia contraceptiva deste sistema é considerada superior aos medicamentos por via oral, já que não depende da tomada diária da paciente, que muitas vezes esquece”, explica.
Mas e os efeitos colaterais? Dra. Rosa Neme explica que um dos principais efeitos negativos do sistema intrauterino medicado com progesterona é a cólica menstrual esporádica que acontece principalmente nas mulheres que nunca tiveram filhos. Nos primeiros três meses de adaptação é comum também apresentar dores nas mamas, surgimento de espinhas e irregularidade menstrual. Além disso, cerca de 60% das mulheres param de menstruar definitivamente.

Muitos especialistas escolhem usar este dispositivo no tratamento clínico de qualquer grau de endrometriose, já que que ele libera diariamente uma dose definida de progesterona, hormônio que interfere na produção de estrógeno – responsável pelo desenvolvimento da doença, além da contracepção de mulher com alguma doença pré-existente, como diabetes, lúpus e hipertensão.

Vale lembrar que cabe ao profissional de saúde informar se este é o melhor método anticoncepcional para cada paciente. Em caso positivo, é necessário ir ao serviço de saúde ou consultório para iniciar o uso do Mirena, uma vez que sua colocação só pode ser feita por um profissional experiente.

Fim das dúvidas?

Bjs,
Fabi Scaranzi