9 fatos que toda mulher precisa saber sobre o mal de Alzheimer

Você não precisa ter mais de 60 anos para se preocupar com a doença. Entenda como o Alzheimer funciona e o que você pode fazer para ajudar quem sofre desse mal.

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Como somos jovens, é fácil não dar importância à doença de Alzheimer, afinal, ela só afeta pessoas acima dos 60 anos. Parece que ainda há um looongo caminho até que perda de memória e demência possam se tornar ameaças reais. Felizmente, isso é verdade! Mas as chances de que o mal de Alzheimer vá afetar alguém próximo a você são enormes e mesmo que ele não seja um perigo à sua saúde agora, é sempre bom educar-se sobre a doença.

Você sabia que o Alzheimer, apesar de não ser hereditário, já afeta 35 milhões de pessoas no mundo todo? E mais: esse número pode chegar a 70 milhões em 20 anos se nenhuma descoberta sobre como prevenir ou tratar a doença for feita! Mais assustador que esses dados, é o fato de que a maioria das pessoas que sofrem de Alzheimer lutam constantemente para pagar os medicamentos e cuidados que precisam para levarem uma vida saudável e normal.

Por isso, não importa se a doença não interfere a sua vida diretamente, é sempre bom saber como lidar com os sintomas desse mal e principalmente, aprender como ajudar quem, infelizmente, faz parte dessas estatísticas. Aqui nove fatos sobre a doença de Alzheimer que você não pode deixar de saber:

1. Mulheres são mais diagnosticadas com Alzheimer do que os homens
Como se nós já não tivéssemos problemas de saúde o suficiente para resolver (alô, cólicas!), uma pesquisa realizada pela Associação Americana de Alzheimer revelou que três em casa cinco pacientes que vivem com a doença são mulheres. Entretanto, o neurologista do Hospital Albert Einstein, dr. Ivan Okamoto explica que a doença pode ser bem democrática uma vez que se deve levar em consideração o fato das mulheres viverem mais tempo que os homens. “Proporcionalmente, a doença é mais presente em mulheres, principalmente a partir dos 60 anos. E o número de casos pode vir a dobrar conforme a idade vai avançando”, explica.

A Universidade de Stanford provou através de um estudo que mulheres que carregam o gene ApoE-4, são duas vezes mais propensas a sofrer com o mal de Alzheimer que os homens que possuem o mesmo gene. As razões para este fato, entretanto, continuam desconhecidas.

2. Os sintomas da doença são claros de se identificar
Nada de achar que esquecer a chave de casa ou não saber onde deixou seu celular são sintomas da doença. Diferente do que muita gente pensa, nem todo problema de memória tem a ver com Alzheimer. Esquecer uma coisa ou outra é normal e quase sempre é consequência do stress e da rotina corrida. Dr. Ivan explica que os sintomas do Alzheimer se caracterizam pela perda de memória constante, aquela que atrapalha no andamento do dia-a-dia. “Para donas de casa, por exemplo, elas esquecem como fazer uma receita corriqueira, ou fazem de forma mais lenta atividades que já estavam habituadas. Mulheres que trabalham fora tendem a apresentar problemas de administração de compromissos, além de esquecerem senhas de banco, logins de acesso de contas, o que causa transtornos na execução de atividades mais simples”.

3. O diagnóstico pode levar dias
Não basta apresentar problemas de memória para ser diagnosticada com Alzheimer. O neurologista Ivan Okamoto explica que o diagnóstico é feito através de testes de memórias que pontuam e comparam os resultados com a população da mesma idade e escolaridade. “Através de exames, testes e conversas descobrimos há quanto tempo o paciente tem sofrido de perda de memória, como isso tem impactado seu dia-a-dia e até mesmo se esses lapsos de memória não estão ligados a medicamentos ou doenças como depressão”. Tumores, hemorragias… tudo pode ser motivo para que a memória sofra perdas, portanto, quanto mais testes e exames forem feitos para identificar as causas, melhor.

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4. Não existe um tratamento definitivo para o Alzheimer
Infelizmente, ainda não existe um tratamento ou medicamento que cure a doença. Dr. Ivan ressalta que, atualmente, existem medicações que diminuem a velocidade da perda de memória e até estabilizam o processo do Alzheimer, mas que não prometem recuperar aquilo que foi esquecido. Ele lembra ainda que não há cirurgias, nem nenhuma evidência de medicação milagrosa. “Os tratamentos são diferentes para cada pessoa pois a intenção é sempre suprir as substâncias que faltam no organismo de cada paciente”.

5. A doença possui diferentes estágios
O mal de Alzheimer pode ser visto em três diferentes fases: leve, moderada e avançada.

Leve: esquecimentos quase normais do dia-a-dia, mas que interferem na rotina, como senha de banco, chave do carro e celular.
Moderada: necessidade de supervisão. A pessoa consegue gerenciar seus compromissos, mas precisa de alguém que a acompanhe, como na hora de cozinhar ou tirar dinheiro no caixa eletrônico.
Avançada: estado total dependência, seja para comer, tomar banho ou sair de casa. Dentro desse estágio, encontra-se também a fase terminal. Nela, a pessoa fica na cama, sem capacidade de mobilidade e interação. Ela perde sua capacidade de memória e de linha de pensamento contínua, apresenta alterações de humor, não consegue mais falar, andar, engolir e, na maioria dos casos, morre por causa de complicações causadas pela doença.

6. Bebidas alcoólicas podem confundir o diagnóstico de Alzheimer, principalmente nas mulheres
Se você tem um membro da família que está sendo diagnosticado com Alzheimer, certifique-se de que o verdadeiro problema não é o consumo exagerado de bebidas alcoólicas. Mesmo pesquisas apontando que uma quantidade moderada de álcool pode ajudar a prevenir a doença, se consumido em excesso, podem levar a outro mal, chamado Síndrome de Korsakoff, que tem como principal característica, a demência. Você pode não notar, mas pessoas mais velhas tendem a consumir uma quantidade maior de álcool, especialmente as mulheres. Aliás, 22% das mulheres entre 65 e 74 anos bebem mais do que a dose semanal de álcool indicada pelos especialistas.

7. Mudanças na rotina ajudam a prevenir ou retardar o aparecimento da doença
De acordo com o dr. Ivan Okamoto, países como Suécia e Islândia passaram a adotar cinco mudanças significativas na rotina e um estudo feito em 2015 provou que em dois anos, pessoas que cumpriram cinco etapas de adaptação, apresentaram menores problemas de memória e concentração. São elas:

1. Atividade física aeróbica três vezes por semana.
2. Atividades intelectuais, como palavras cruzadas, xadrez, cursos de língua e computação.
3. Alimentação balanceada, contendo proteínas, carboidratos, vitaminas e alimentos ricos principalmente em ômega 3, como peixes e castanhas. Além de verduras, vinho e mirtilo, que contém antioxidantes poderosos contra a deterioração do cérebro.
4. Prevenção de fatores de risco, como diabetes e pressão alta.
5. Manutenção das relações sociais e familiares, estando sempre rodeada de familiares e amigos, seja em clubes, festas de aniversário ou almoços de domingo.

8. Pesquisas tem avançado em busca na cura deste mal
No final de 2015, Hillary Clinton anunciou que está lutando para que a cura do Alzheimer chegue, em definitivo, até 2025. Ela compartilhou um plano de dez anos e garantiu doar US$ 2 bilhões por ano para pesquisa, afirmando ainda que esses investimentos vão ajudar as famílias americanas a cuidar de parentes que sofram com a doença. Na mesma época, o Congresso americano aprovou uma lei que iria aumentar o financiamento da investigação, para US$ 350 milhões em 2016, elevando o total para US $ 1 bilhão.

Enquanto isso, mais de 40 novas substâncias vêm sendo estudadas para combater a doença. Se aprovadas pelo comitê de ética e liberadas para pesquisa, tudo indica é que, num futuro próximo, haverá um coquetel feito especialmente para parar o processo do Alzheimer.

9. Mulheres são mais propensas a cuidarem de parentes que sofrem de Alzheimer
O número de mulheres que tomam a frente e se responsabilizam pelos cuidados de parentes com Alzheimer é duas vezes maior do que os homens. Pesquisas mostraram que 20% das mulheres que cuidam de alguém com Alzheimer teve que desistir do trabalho integral em empresas pelo parcial, a fim de dividir o dia entre a carreira profissional e o acompanhamento de entes que sofrem com a doença. Enquanto isso, apenas 3% dos homens fizeram o mesmo.

Vale lembrar que cuidar de alguém com Alzheimer não exige só tempo, mas também muito amor, dedicação e paciência. Entenda: se a pessoa não quer tomar banho, por exemplo, não é por birra. Essa atitude é a doença fazendo a pessoa perder sua capacidade de julgamento e desorientando seu comportamento. Portanto, antes de se comprometer, tente entender a fundo como o Mal de Alzheimer funciona. Informe-se sobre a doença e avalie se você está pronta para encarar esse desafio, que barreiras terá que quebrar e não tenha vergonha jamais de pedir ajuda.

Nos cinemas
A atriz Julianne Moore ganhou o Oscar de melhor atriz em 2015 pelo filme Para Sempre Alice. Julianne interpreta o papel de Alice, uma renomada professora que descobre sofrer do mal de Alzheimer ainda no estágio inicial da doença. Lindo e emocionante, vale a pena assistir como a vida de uma família é transformada assim que o diagnóstico do Alzheimer é confirmado!

Bjs,
Fabi Scaranzi

*Imagens: Pinterest