Quem nunca se viu nessa situação que atire a primeira pedra: friozinho, os filhos na cama, trabalho em dia, uma garrafa de vinho aberta, Netflix e vocês dois a sós… é ou não é a oportunidade perfeita para curtir a noite com o parceiro? Mas aí o celular apita e você vai dar só uma conferidinha. Do Whatsapp vem o Facebook, e o Instagram, e o Snapchat…. e o clima? Já era! No meio à tanta tecnologia, como não deixar que as redes sociais afetem nosso relacionamento?
Não dá pra negar que as redes sociais fazem parte da nossa vida. A gente sempre dá aquela espiadinha no Face antes de dormir, ou ataca o celular depois de fazer o pedido em um restaurante ou enquanto espera a conta. É natural. Os aplicativos sendo atualizados a cada segundo e a nossa vontade de estar sempre “em dia” fazem com que a gente se sinta dependente das redes sociais, inclusive pra passar o tempo. Estudo mostram, inclusive, que de checadinha a checadinha, desbloqueamos a tela do celular, em média, a cada oito minutos – ou 150 vezes por dia!
Mas e quanto essa “dependência” afeta diretamente nossas relações pessoais? Um estudo realizado pela Universidade de Baylor, nos Estados Unidos mostrou que 46,3% dos usuários de smartphone acham que ele afeta negativamente seus relacionamentos. E essa mania de focar no celular e ignorar o parceiro recebeu até um nome próprio pelos especialistas: phubbing! Uma mistura de “phone” (telefone) e “snubbing” (esnobar).
Entendendo a pesquisa
De acordo com o autor do estudo, o professor James A. Roberts, o nível de phubbing de um casal está diretamente relacionado ao nível de satisfação com o relacionamento, conforme descreveram 453 participantes da pesquisa.
A conclusão? Quanto mais conectados à tecnologia, maior a insatisfação! “As pessoas sentem solidão ao ver o parceiro se isolar num aparelho e ignorar sua presença”, disse. “Esse hábito está, de fato, colocando muitos casamentos em risco”.
Comum acordo
Para não deixar que as redes sociais afetem seu relacionamento, o mais indicado por psicólogos e terapeutas de casais é que algumas regras sejam criadas pelo casal, lembrando sempre de beneficiar os dois e não somente àquele que se sente ignorado ou trocado pelo celular.
Para o professor James Roberts uma atitude infalível dentro dos relacionamentos é sempre avisar o parceiro quando for o celular e, principalmente: porque é tão importante recorrer ao smartphone naquele momento. “Isso fará com que, primeiro, o acesso não seja puramente automático e segundo, que o outro não se sinta desmerecido”.
Outra dica importante é se policiar ao máximo quanto as famosas “espiadinhas” e tentar aumentar o tempo em que você checa as notificações do seu smartphone. Já notou o quanto você se sente sozinha, mesmo estando ao lado do seu parceiro cada vez que ele deixa de prestar atenção em você pra responder aquele grupo do futebol ou olhar as redes sociais?
E se a atitude a dois já é um perigo, os riscos aumentam ainda mais para quem tem filhos. Afinal, eles são um espelho dos pais e acabam se viciando nos celulares e iPods quando veem que é ok trocarem o comprometimento familiar pela tecnologia.
Agora, é preciso decidirem juntos que momentos o celular e as redes sociais de fato influenciam negativamente no relacionamento e quais regras precisam ser seguidas à risca. Nada de celular na mesa do jantar? Notificações do Whatsapp desativadas ao chegar em casa? Aparelho desligado na hora de dormir? O que mais importa pra vocês?
Quando o celular vira um vício
Acha a palavra “vício” exagerada? Pois saiba que essa ansiedade que muita gente sente (e talvez até você!) quando está longe do aparelho já é considerada doença e tem até nome: nomofobia – do inglês, no mobile phobia, ou fobia sem celular.
Em casos mais extremos as pessoas super ligadas ao celular passam a apresentar um sintoma chamado de “toque fantasma”, quando acham que ouvem o telefone tocar ou o sentem vibrar, mesmo sem ter acontecido.
E não é preciso nem imaginar o desespero quando o celular quebra ou quando a bateria acaba, né? Outro estudo americano, agora realizado pela Flurry Analytics, mostrou que o número de pessoas consideradas viciadas em smartphones no mundo cresceu 60% entre 2014 e 2015. Hoje, são quase 280 milhões com essa dependência, contra 176 milhões em 2014.
A verdade é que, viciados ou não, as redes sociais afetam, e muito nossos relacionamentos afetivos, principalmente porque alguns aplicativos requerem tanto a nossa atenção que muitas vezes entramos em transe quando estamos conectados e mal percebemos o tempo passando e principalmente: as pessoas que estão a nossa volta. Esse estado de consciência alterado é conhecido pelos psicólogos como “experiência de fluxo” e pode facilmente ser comparado com jogadores de xadrez que dedicam extrema concentração e tempo àquilo que mais lhes dá prazer.
Por isso, não tem jeito, o segredo é mesmo se policiar. Afinal, o que a gente leva da vida são as memórias, principalmente daqueles momentos incríveis que vivemos ao lado de quem a gente ama.
Bjs,
Fabi Scaranzi
*Imagens: Shutterstock