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Câncer de mama: 3 mulheres venceram essa luta e recuperaram a autoestima
No mês do Outubro Rosa três mulheres contam como enfrentaram o câncer de mama e como um projeto social as ajudou a recuperar a autoestima e o amor pelo próprio corpo

Outubro chegou e com ele vem o alerta à todas as mulheres acima dos 35 anos: a importância da mamografia anual e do autoexame sempre que possível. Sabia que, quando diagnosticado na fase inicial da doença, as chances cura do câncer de mama chegam a 96%?

Depois de produzir uma matéria especial apontando todos os sintomas, formas de tratamento e até maneiras de prevenção da doença, além de uma entrevista exclusiva com a apresentadora Sabrina Parlatore contando como enfrentou o câncer de mama com muita serenidade, esse ano resolvi homenagear o Outubro Rosa trazendo a história de três guerreiras de idades, profissões e perfis diferentes que enfrentaram o câncer de mama e, com a ajuda do Projeto Pérolas recuperaram a confiança, a autoestima e reaprenderam a amar o próprio corpo. São lindas histórias de superação que valem como inspiração. O caminho não é fácil, mas a luta vale a pena e, abaixo, elas contam o que aprenderam ao enfrentarem (e vencerem!) essa doença.

Christina Guedes, 53 anos

(fotografia de Bárbara Montarroyos)

(fotografia de Bárbara Montarroyos)

“Quando descobri o câncer de mama estava de megahair, fazendo planos para diminuir os seios e ainda me sentindo atraente aos 51 anos. Mas em abril de 2014 percebi que minha axila esquerda estava inchada. Fui apalpando e senti um caroço. Ao redor do seio não consegui perceber nada, mas foi o suficiente pra me deixar em pânico. Procurei logo meu ginecologista, que confirmou a existência de algo e, no mesmo dia, comecei a minha saga de exames. Foi duro esperar pelos resultados… para mim a pior parte de tudo. Só meu companheiro e eu sabíamos. E passar pelo Dia das Mães com essa sentença de morte pairando sobre a cabeça foi muito difícil. Só chorava e me agarrei ainda mais na fé.

Quando os resultados chegaram e meu inimigo fora identificado, resolvi que tinha que lutar com todas as forças e com o que fosse possível. Encarei a palavra que alguns nem têm coragem de pronunciar. Compartilhei com família e amigos e passei eu mesma máquina zero quando percebi que doeria muito mais ver os cabelos saindo em cada escovação, a cada banho. Confesso que perder os cabelos, sobrancelhas e cílios abalou bastante a minha autoestima. Me olhava no espelho e não me reconhecia. Pensava: ‘então essa sou eu pelo avesso. E vou tem que conviver com esse meu lado por algum tempo’.

Procurei passar pelo tratamento de uma forma bem leve. Não queria que meus dois filhos sofressem. Aparecia, pela manhã, sempre com perucas diferentes: black power, ruiva, loira, com lenços coloridos… sem eles não ficava nem para dormir. Não queria que me vissem careca. Coisas de mulher vaidosa que sempre fui. Enfim, passei por dois anos de tratamento, engordei 10 quilos, fiquei sem meus cabelos e percebi que isso não é nada diante da graça de poder acordar todas as manhãs e recomeçar minha luta. Tive tantas demonstrações de carinho e solidariedade… momentos de extrema felicidade e amor. Agradeço a Deus por ter passando por essa experiência. Até madrinha de casamento fui nesse período. Procurava sempre passar serenidade e confiança em Deus de que tudo isso iria passar. E passou.

Fiz quimioterapia, radioterapia, retirei a mama esquerda, perdi minha mãe com a mesma doença com a qual eu estava lutando. Tive que ajudar meu companheiro com crise de diverticulite e ao meu filho de 14 anos que apresentou sintomas de síndrome de pânico. Tive que ser forte por mim e por eles. Hoje, não me aborreço com nada… estou curada! Venci um tumor de mais de 12cm e metástases na axila.

Agora aguardo pela reconstrução. Enquanto isso vou participando de projetos como o “Pérolas” que quer nos devolver a visão de mulher…e mulher poderosa! Quero, com a minha experiência, poder ajudar tantas outras mulheres que se deixam vencer pelo medo. Não pensem na doença e viva um dia de cada vez! Agradeço a Deus por cada momento vivido. Sei que me tornei uma pessoa melhor.”

Dolores Oliveira, 43 anos

(fotografia de Camila Balthazar)

(fotografia de Camila Balthazar)

“Eu era uma mulher que adorava namorar, sair pra dançar, vivia cercada de amigos, trabalhava, tinha uma vida bem ativa. Sou mãe de duas meninas, as quais amamentei até os três 3 anos de idade. Nunca tive nenhum tipo de doença, sempre fui saudável.

Eu estava no trabalho quando recebi o telefonema da clínica onde havia feito uma exérese (remoção por cirurgia), pedindo que eu comparecesse para pegar o resultado. Na hora, senti que havia algo errado. Ao entrar no consultório, o médico me disse que eu estava com câncer. E eu, muito nervosa, perguntei se ele estava brincando comigo. Ele me encaminhou para um oncologista.

Saí de lá sem chão, tentando não chorar, mas o desespero era enorme. Pensava que iria morrer e que minhas filhas ficariam órfãs. Eu senti muito medo de morrer. Pra mim o câncer era uma sentença de morte, não sabia nada a respeito. Cheguei em casa e desabei.

A parte emocional foi a mais dolorosa. Eu, que sempre fui uma mulher forte e decidida, tinha agora nas mãos um diagnóstico que eu sabia que teria que ter muito mais força para enfrentar.

Logo na primeira consulta com o oncologista fui avisada que deveria fazer a cirurgia de retirada da mama mas, como eu não aceitava a doença, demorei mais de quatro meses para fazê-la. E só fiz depois que o médico confirmou, mais uma vez, que eu estava com câncer, realmente.

Minha autoestima ficou abalada porque eu já não me achava bonita. Antes do câncer meu corpo era lindo e, por causa da quimio, fiquei inchada. Comecei a me retrair e a me fechar para relacionamentos. Foi através de uma foto de uma amiga, no Facebook, que conheci o Projeto Pérolas. Ela também lutava contra o câncer e estava simplesmente linda na foto. Eu também quis fazer um ensaio.

Eu já havia marcado a cirurgia de reconstrução mamária e, logo depois dela, participei de um ensaio. Na noite que antecedia as fotos nem consegui dormir de tão ansiosa. Mas, ao chegar, fiquei muito à vontade.

Nunca tinha me visto daquele jeito, maquiada, produzida, linda! Meus olhos encheram de lágrimas quando vi as fotos. Estava tão linda! Autoestima é eu poder me olhar no espelho e gostar do que vejo, é andar pelas ruas sem ter vergonha quando um homem me olha, é gostar de me arrumar e me sentir bem comigo mesma. Saber que apesar de ter ficado careca, inchada e ter passado por todo aquele processo, eu permaneço mulher e posso, sim, ser bonita e desejada.”

Fabíola Alves, 33 anos

fabiola

(fotografia de Beta Bernardo)

“Descobri o câncer de mama no ano de 2014, quando notei um caroço no seio. Procurei um mastologista direto, fui na consulta e ela pediu logo uma mamografia, de urgência. No fundo, no fundo, eu já sabia que estava com câncer. Peguei o resultado no mesmo dia e foi positivo. A enfermeira ainda tentou disfarçar, dizendo que era um “carocinho” e que eu precisaria fazer outro exame, a biópsia.

Durante os vinte e um dias de espera do resultado da biópsia, fiquei super nervosa e ansiosa e, quando peguei o resultado – 98% de câncer maligno – meu coração gelou. Quando a médica confirmou, me disse que eu precisaria operar rapidamente e assim aconteceu. Mais exames e muita correria! Operei em agosto de 2014, fiz o quadrante e esvaziei a axila toda.

Quando acordei, a primeira coisa que eu perguntei foi se tinha comida! Tentei levar tudo da melhor forma possível, sempre rindo e brincando. A quimio me deu reações ruins, enjoos, tremedeiras, as unhas dos pés e das mãos ficaram pretas, minha vagina ficou toda cortada. Foi um período de sofrimento, em que a família sofreu junto comigo. Meu marido ficou arrasado, meus filhos e minha mãe também. Todos choravam sem que eu percebesse. Foram seis meses de tortura mas, graças a Deus, minha trajetória com câncer de mama acabou! Depois foram 38 sessões de radioterapia e queimadura de terceiro grau em várias partes do corpo. Pra mim, essa foi a pior parte de todas.

Tive apoio da família e amigos, graças a Deus. Pessoas que eu achei que eram amigas se afastaram, mas também tive apoio de gente que não era tão próxima e que se tornaram amigos. Meus filhos foram muito maduros durante esse período. Me apoiaram, me diziam que eu estava linda careca. Nenhum deles, nem meus filhos, nem meu marido sentiu vergonha de mim. Pelo contrário, andavam de mãos dadas comigo, me beijavam. Isso foi fundamental para que eu conseguisse passar por isso tudo.”

Conhecendo o Projeto Pérolas

Conversando com a idealizadora do Projeto Pérolas, Mel Masoni, descobri que a ideia surgiu a partir da sua vontade de ajudar mulheres que atravessavam o câncer de mama a recuperarem a autoestima. “Como sou produtora e diretora de arte, entrei em contato com amigos artistas a fim de fazermos ensaios fotográficos gratuitos para elas”, conta.

Mel acredita que a fotografia tem o poder de nos retratar de formas muito além do que estamos acostumadas a nos ver no espelho e essa foi a forma que encontrou para ajudar a resgatar a autoestima de ser mulher. “O projeto está em plena expansão porque estamos descobrindo juntas as inúmeras possibilidades de empoderarmos essas mulheres”.

Hoje, o Projeto Pérolas conta com um grande número de voluntários, que vão desde fotógrafos, até editores de vídeo, maquiadores e psicólogos. Tudo para deixar as mulheres que participam dos ensaios ainda mais felizes e confiantes, aliviando um pouco os traumas causados pelo câncer de mama e restaurar sua autoestima e amor próprio.

Bacana, né? Projeto e histórias inspiradoras, com certeza!

Bjs,
Fabi Scaranzi

*Para saber mais: www.projetoperolas.com.br


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