De volta ao trabalho depois da Licença Maternidade

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    Se você está passando por este momento natural de ansiedade de ter que voltar ao trabalho depois de quatro ou seis meses de ausência mais do que justificada – afinal seu filho nasceu e até a lei reconheceu que era seu direito e dever dedicar-se exclusivamente a ele – não ache que uma certa sensação de insegurança é um problema só seu. Todas as mães que trabalham fora já passaram por isso e se sentiram tão ansiosas quanto você.

    Principalmente se é o primeiro filho. Você pode ter a impressão de que todo esse tempo afastada a colocou em outro mundo e que será difícil se readaptar ao ambiente de trabalho, ao mesmo tempo que a sensação de separação do seu pequenino, ainda tão indefeso, pode gerar sentimentos de culpa, além da própria dor da distância depois desse tempo em que estiveram tão grudados.

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    O primeiro passo para encarar essa ansiedade, os medos e expectativas de como vai ser, é você ter em mente que toda essa revolução interna é absolutamente natural e não vai prejudicá-la na sua atuação profissional, desde que você saiba lidar com a nova realidade de ser mãe e mulher eficiente na sua posição de trabalho, ao mesmo tempo, sem que uma coisa ou outra se choquem. É um período de adaptações, concessões e de ouvir bons conselhos também, principalmente de quem já passou por isso.

    Na avaliação do psicólogo clínico Eduardo Reis Penido, deixar seu bebê em casa ou numa creche e dedicar-se ao trabalho pode deixá-la incômoda, a princípio, mas isso tende a passar rapidamente. “Aprender a lidar com as frustrações e perdas é uma necessidade do processo de crescimento, que se faz presente a cada momento de nossas vidas”, pondera. “Irá existir uma certa sensação de luto, num nível muito menor, pois você e o bebê voltarão a se encontrar em poucas horas.”

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    Lidando com o desapego

    De volta ao trabalho, você precisará se organizar emocionalmente e conseguir focar em suas tarefas para ter um bom desempenho. Eduardo Penido destaca que muitas pessoas gostam de dizer que controlam as emoções, porém, isso pode repercutir no físico e você precisará mais do que nunca estar saudável com sua nova “dupla jornada”. Então a dica é manejar as emoções para que elas não fiquem bloqueadas. “O uso da respiração como mecanismo de mudança é muito importante, especialmente no caso do manejo das emoções”, observa o psicólogo.

    Para amenizar o impacto da distância, antes do retorno ao trabalho, as mães podem adotar alguns comportamentos para passar segurança ao filho e se preparar. Um deles é fazer pequenos testes para deixá-lo por momentos, minutos ou horas com outra pessoa que possa cuidar dele, a fim de que a mãe sinta o que deverá acontecer quando voltar a trabalhar. É uma boa forma de lidar com esse momento, para trabalhar o desapego.

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    Preparando a volta

    Por outro lado, é interessante criar um clima agradável de retorno ao seu posto, então antecipe contatos com os colegas de trabalho, pois algumas mudanças poderão ter ocorrido por lá e é bom que você já chegue sabendo o que irá encontrar. Um email simpático ou um telefonema para se reconectar com sua chefia de maneira agradável também pode ser um bom caminho, ou até passar no escritório para uma visita e um cafezinho antes de encerrar o período de licença.
    Isso tudo pode ajudar na sua retomada da situação que, durante o fim da gravidez e no pós parto, pareciam um mundo tão distante. Acontece que você sempre fez parte desse mundo produtivo e o seu lugar ficou ali guardado esperando por você. Bote fé na sua capacidade e você está pronta para voltar.

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    Mas e o bebê?

    Outra dúvida frequente das mães diz respeito ao que deve ser levado em conta na hora de decidir quem vai ficar com o bebê, enquanto a mãe trabalha. A orientação do especialista é deixar a criança com quem você confia. Pode ser a mãe, a irmã, uma vizinha, ou até o pai, se ele trabalhar em esquema home-office (se ele topar, é claro!). No entanto, o melhor seria uma creche, que possua uma estrutura física e multidisciplinar que poderá aconchegar melhor a criança. Eduardo Penido recomenda que se dê preferência às creches onde já estiveram alguns filhos de conhecidos e amigos, além de observar se há uma boa impressão das pessoas que cuidarão do bebê.

    Entre as vantagens da creche, estão a facilidade de socialização da criança, o estabelecimento de limites sociais, a imunidade que se elevará em função das bactérias que circularão por todos e um controle mais especializado de profissionais credenciados para observar e relatar o comportamento do seu bebê, com uma supervisão e experiência que uma babá, ou irmã podem não ter. “Também a proximidade da creche com a casa ou o trabalho é importante, principalmente nestes dias de trânsito intenso. A comodidade e a segurança da mãe e criança são fundamentais”, reforça Penido.

    Estando a segurança e conforto do seu bebê garantidos, é hora de separar esses dois mundos aos poucos, pois você faz parte de ambos e claro que não quer decepcionar a ninguém. Mas não deixe que isso seja uma “preocupação”. Outras mães, com certeza te dirão para relaxar “porque no final, tudo dá certo”. Sucesso no retorno!

    bj pra vcs
    Fabi Scaranzi