Síndrome de Burnout! Saiba como se proteger deste mal

A rotina corrida, as cobranças do chefe, o acúmulo de trabalho e o perfeccionismo. Se você não tirar um tempinho para relaxar, não vai demorar para que você se sinta esgotada, tanto física, quanto mentalmente. Veja se você não é mais uma vítima da Síndrome de Burnout - doença gerada por esgotamento no trabalho

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    stress

    Se você chegou àquele ponto de que não tem mais uma gotinha de energia no seu reservatório, é melhor tirar cinco minutinhos do seu tempo e fazer uma avaliação sincera sobre o seu rendimento no trabalho. Você costumava ser uma pessoa competente e proativa, mas agora sente que trabalho no “piloto automático”? Ou chega em casa constantemente irritada, desanimada e sem vontade de fazer absolutamente nada? Esses são sintomas clássicos da Síndrome de Burnout. Uma doença difícil de ser reconhecida, mas que, de acordo com a International Stress Management Association (Isma), já acomete 30% dos profissionais brasileiros.

    Um pouquinho de stress no dia-a-dia é normal. Ele, inclusive, nos ajuda a tomar decisões no trabalho e na vida pessoal. “Em certa quantidade pode ser positivo e mesmo necessário”, avalia Marine Meyer Trinca, psicóloga da Medicina Preventiva do Hospital Israelita Albert Einstein (HIAE). Entretanto, se o comportamento for uma constante, principalmente quando o profissional acaba de chegar a empresa, é melhor ficar de olho.

    A síndrome atinge, em especial, profissões em que há um impacto direto na vida de outras pessoas, como enfermeiros, psicólogos, professores, bombeiros, policiais, bancários, atendentes de telemarketing, assistentes sociais, advogados, arquitetos e jornalistas, sendo as mulheres as mais atingidas. O motivo? A ideia de que a mulher, além de realizar as funções exigidas pelo seu cargo, passe a responsabilizar também pelo serviço “doméstico” do lugar onde trabalha, como atender telefones, organizar festas e eventos, servir o cafezinho… Por isso, é bom ficar atenta às principais causas da doença, seus sintomas e principalmente: como tratar e preveni-los.

    Principais causas
    Segundo a psicóloga do Hospital Albert Einstein, são vários os motivos que podem levar a pessoa ao esgotamento físico e mental no trabalho. Preste atenção na lista abaixo:

    – Perfeccionismo
    – Meta profissional ainda não alcançada
    – Competitividade
    – Necessidade exagerada de controle
    – Impaciência
    – Dificuldade para delegar tarefas e trabalhar em grupo
    – Incapacidade para tolerar frustrações

    Tired Doctor in Hospital Hallway

    Problemas de relacionamento com clientes e chefes, a falta de cooperação entre os colegas de trabalho, o desequilíbrio entre a vida profissional e a pessoal e a perda de autonomia também são grandes causadores do nível máximo de estresse. Fortes candidatos são aqueles conhecidos como workaholics, que se identificam bastante com o trabalho, vivem para ele e têm níveis de exigência muito altos.

    O resultado? O rendimento cai, trabalhando cinco horas a menos por semana do que um funcionário em estado físico e emocional normal. Além, ainda, de sofrer um risco maior de erros e acidentes de trabalho, devido a desatenção e imprudência. O convívio social fora do ambiente do trabalho também é prejudicado, já que a pessoa com a Síndrome de Burnout perde sua vontade e capacidade de interação, afastando-se cada vez mais dos amigos e parentes.

    Se você conhece alguém que sofre do problema, nada de mandar a pessoa reagir, ok? Isso, na verdade, só piora o problema, já que o doente passará a exigir mais de si mesmo, tentando produzir cada vez mais, intensificando sua carga de trabalho e, consequentemente, aumentando seu nível de cansaço e perdendo a eficiência e qualidade na tarefa que executa.

    Sintomas
    A Síndrome de Burnout pode ser medida através de três características que aparecem conforme o estágio da doença vai se agravando.

    Nível 1: Exautão! De acordo com o Isma, 97% das pessoas que participaram da pesquisa afirmaram se sentirem totalmente energia e sem recursos físicos e emocionais para se reagirem. Há também a sensação de fraqueza, dores musculares e de cabeça, além de náuseas, queda de cabelo, distúrbio do sono, alterações de humor, falta de apetite, baixa imunidade, alergia e perda de libido.
    O estudo revelou ainda que 91% relataram sentimentos de desesperança, solidão, impaciência, raiva e depressão. Outros 85% citaram o raciocínio lento, a baixa de autoestima e a memória alterada como principais sintomas.

    Nível 2: Distanciamento! Ligada a traços emocionais, o profissional que sofre com esgotamento no trabalho, passa a ter um contato frio e superficial com seus companheiros de equipe, além de se distanciar afetivamente de parentes e amigos, assumindo uma postura negativista, ranzinza e de difícil interação.

    Nível 3: Perda na produtividade! Seu nível de rendimento cai significativamente, fazendo com que o profissional passe a ver seu trabalho como mal feito e sem ser digno de reconhecimento. A sensação de ser incapaz de realizar com êxito uma tarefa, pode resultar, inclusive, a quadros de depressão.
    Não demora para que a frustração dê espaço a agressividade, fazendo o afetado pela Síndrome ter constantes ataques de ira, aumentando as possibilidades de doenças autoimunes, crises do pânico, diabetes e taquicardias.

    Tratamento
    A Organização Mundial de Saúde (OMS) já reconhece esse mal como uma doença ocupacional, portanto, o primeiro passado para tratar a Síndrome de Burnout é o afastamento temporário do profissional.

    Em seguida, deve-se fazer um exame minucioso e analisar se os problemas enfrentados estão de fato relacionados ao ambiente de trabalho ou à profissão. O ideal é procurar um especialista para fazer exames psicológicos. Busque avaliar se é o ambiente de trabalho o principal causador do stress ou se são as atitudes da pessoa o principal estopim deste esgotamento.

    Mesmo que um antidepressivo alivie o quadro, é fundamental desacelerar o ritmo de trabalho. Além da diminuição da carga horária de trabalho, exercícios como meditação e técnicas de relaxamento podem ajudar a combater este tipo de stress.

    É fundamental, também manter o foco em três pontos fundamentais para o tratamento psicoterápico: a relação do profissional com a profissão, o ambiente de trabalho e o tratamento de cada sintoma individualmente, como por exemplo sua dificuldade de concentração. Somente depois de ter trabalhado cada um desses três pontos, é que profissional está liberado para voltar ao trabalho, mas de forma gradual, em que as demandas cresçam aos poucos.

    Prevenção
    – Tire o trabalho como sua prioridade número 1 de vida
    – Procure descobrir atividades extracurriculares que te deem prazer
    – Faça mais passeios culturais. Aqui, vale desde uma ida ao cinema, até museus e exposições.
    – Leia livros e revistas sobre temas sem nenhuma relação com a área em que atua.
    – Delegue tarefas. Não tenha medo de pedir ajuda a parentes e amigos quando se sentir sobrecarregado.
    – Faça exercícios físicos regulamente. Eles ativam a circulação e ajudam a extravasar o stress.
    – Alimente-se bem e imponha limites na quantidade de cafeína que ingere diariamente.
    – Estabeleça um horário fixo para dormir e acordar e nunca abra exceções.
    – Avalie se o que te atraiu nesse emprego ainda te satisfaz ou se já não é hora de pensar em um plano B.
    – Procure fazer uma lista de prós e contras da função e empresa em que atua hoje, buscando sempre encontrar valores positivos.
    – Conheça pessoas. Ao fazer o famoso networking, você abre novas portas e quem sabe, encontra uma oportunidade de trabalho menos exaustivo.
    – Preste atenção aos sinais do seu corpo. Se você perceber que constantemente fica doente, e apresenta sintomas desde anemia até gripes, baia imunidade e distúrbios da tireóide, pode ser o momento de desacelerar o ritmo e focar em uma tarefa de cada vez. Será que não é o caso de programar as tão sonhadas férias?

    Bjs,
    Fabi Scaranzi

    *Imagens: Pinterest