Tudo o que você precisa saber sobre a dengue

Nunca é demais aprender sobre os sintomas e tratamentos contra essa doença

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Atenção na hora de identificar o Aedes Aegypti: o mosquito é preto e tem manchas brancas!

Atenção na hora de identificar o Aedes Aegypti: o mosquito é preto e tem manchas brancas!

A dengue é uma doença grave e, apesar de aparentemente ter sintomas fáceis de tratar, se evoluir para quadros hemorrágicos, pode vir a matar. Não é à toa que ela se tornou um dos principais problemas de saúde pública no mundo. A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que entre 50 a 100 milhões de pessoas se infectem anualmente com a dengue em mais de 100 países de todos os continentes (exceto a Europa!). Entretanto, os números podem se tornar menos desesperadores com a chegada do inverno. O infectologista do Instituto Emílio Ribas, Jean Gorinchteyn, explica que, a mudança de temperatura trazendo uma queda nos termômetros pode trazer também uma queda no número de pacientes infectados. “Isso ocorre porque entre o fim de março até o fim de setembro podemos esperar períodos mais frios e menos chuvosos, o que diminui a possibilidade de proliferação do mosquito, além de sua dispersão”.

O inverno, entretanto, faz crescer o número de casos de gripes e resfriados, que, infelizmente, têm sintomas bem parecidos com os da dengue. Por isso, preste atenção em como a doença se manifesta tanto nos quadros mais simples, quanto nos mais graves e principalmente: aprenda como se tratar caso se torne vítima desse tão terrível mosquito.

Dengue clássica
Os sintomas da dengue clássica são bem fáceis de identificar. Nos adultos, a doença se manifesta a princípio atrás de febre alta (39º a 40º), ligada à dor de cabeça, dores musculares, nas juntas, atrás dos olhos, coceira, prostração e manchas vermelhas pelo corpo. “Espera-se que no período de 7 dias os sintomas comecem a regredir, entretanto, quadros de fraqueza e dores nas pernas ainda podem persistir por mais alguns dias”, afirma Jean.

Já nas crianças, o sintoma inicial também é a febre alta, acompanhada de sonolência, perda de apetite, vômitos e diarreia, o que pode ser facilmente confundido com viroses. Por isso, é fundamental a realização de exames laboratoriais para receber o diagnóstico o quanto antes.

Dengue hemorrágica
A princípio, a dengue hemorrágica se manifesta da mesma forma da clássica, entretanto, a partir do terceiro dia começam a aparecer os sinais da hemorrágica, como sangramento nasal, vaginal, gengival e em alguns casos, até mesmo pelo rompimento dos vasos superficiais da pele. “A dengue hemorrágica nada mais é do que uma resposta inflamatória dos sintomas clássicos”, explica o infectologista. Além dos sangramentos, preste atenção em sintomas, como: dor abdominal, aceleramento do batimento cardíaco e, em alguns casos, irritabilidade. No final do período febril é possível notar ainda algumas alterações neurológicas, como delírio, sonolência, depressão, psicose e amnésia.

Diagnóstico
A única forma de saber se você está mesmo contaminada com o vírus da dengue, é através de exames laboratoriais. O diagnóstico pode ser obtido por isolamento do vírus no sangue nos 3 a 5 dias iniciais da doença, ou até mesmo através de exames de sangue para detectar anticorpos contra o vírus.

Tratamento
O tratamento da dengue é apenas assintomático, ou seja, trata-se apenas os sintomas que acompanham a doença, por exemplo: medicamentos para abaixar a febre alta e analgésicos para minimizar as dores no corpo… O mais importante para o tratamento da dengue clássica é a hidratação constante. “Além da medicação para baixar a febre e amenizar os sintomas, sugerimos que o paciente consuma alimentos como a melancia e o abacaxi e esteja sempre hidratado com muita água e sucos”, explica Jean.

No caso da dengue hemorrágica, no entanto, o tratamento vai além. A hidratação é feita na Unidade de Terapia Intensiva (UTI), de forma intravenosa, além, é claro das medidas suporte para tratar as áreas afetadas.

Vacina
Os dados atualmente podem não ser muito animadores, mas uma boa notícia vem por aí: de acordo com o infectologista, até o final do ano um laboratório privado lançará uma vacina quadrivalente, desenvolvida a partir de uma cepa do vírus, geneticamente modificado, composta pelos quatro subtipos da doença. E o melhor: até o momento nenhum voluntário apresentou reações adversas. Sabe-se também que o Instituto Butantã tem uma vacina contra dengue em fase de estudo atualmente. “A produção em larga escala da vacina deve ocorrer, muito possivelmente, no prazo de um ano e meio”.