Antibióticos: cuidado com o uso desenfreado!

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Para muitos, os antibióticos são considerados milagrosos. Bastou surgir uma dorzinha para o medicamento se fazer presente. Afinal, nossa vida não para pra que a gente se dê o direito de tirar alguns dias de folga por causa de uma dor de garganta, né?

O problema é que as bactérias têm se tornado cada vez mais resistentes aos antibióticos, o que diminui as chances de nos curarmos de determinadas infecções. O motivo? De acordo com o neurologista de Jundiaí, Paulo Alves Junqueira, aquelas bactérias que resistem ao medicamento sofrem mutações e desenvolvem uma série de mudanças na sua estrutura para inibirem os mecanismos de ação dos antibióticos. Assim, ficam resistentes não só a um antibiótico, mas a um grupo todo do medicamento. E as más notícias não param por aí: “Hoje em dia não existe absolutamente uma única bactéria que não seja capaz de se desviar de um ou dois antibióticos. Algumas espécies, aliás, já são resistentes até mesmo ao mais importante grupo de antibióticos e é por isso que essa resistência é uma das maiores ameaças para a saúde pública de todo o mundo atualmente”, explica.

Cuidado com o uso em excesso
Já pensou o que poderia acontecer se não pudéssemos mais contar com a ajuda desse tipo de remédio? Além de não conseguirmos combater as mais simples bactérias, procedimentos mais complexos como transplantes de órgãos e outras cirurgias delicadas não seriam possíveis. Por isso, é fundamental dosarmos muito bem a quantidade de antibióticos no organismo.

A Organização Mundial de Saúde estima que metade das prescrições de antibióticos são inoportunas e cada vez que se toma um desses remédios sem necessidade, aumentam as chances de bactérias resistentes se desenvolverem. “As pessoas ainda insistem em tomar antibiótico para gripe, que é uma doença provocada por vírus. Uma vez que os antibióticos matam bactérias e não vírus, o uso errado desse medicamento diminui seus efeitos, dando chance para as bactérias criarem mecanismos de resistência mais rapidamente”, explica Paulo Junqueira.

O alerta também vale para aquelas situações em que interrompermos o uso desse tipo de remédio porque já não sentimos os sintomas da doença. O neurologista lembra que toda vez que terminamos um tratamento com antibióticos, acabamos dando uma enorme chance para as bactérias retornarem ao corpo ainda mais fortes, podendo até agravar a situação inicial. Por isso, nada de interromper a medicação só porque você se sente super disposta para cair na balada, hein? Se divertir está liberado, desde que você continue tomando seus remédios no horário e dose recomendados.

Antibióticos e seus efeitos
Entender como os antibióticos agem no nosso organismo não é nenhum mistério. Alguns medicamentos, como a penicilina, por exemplo, matam ou paralisam as bactérias causadoras da infeção, uma vez que ao se dividirem, as bactérias começam a fazer cópias de suas proteínas e seu volume interno aumenta. Assim, a membrana não suporta e a bactéria se degenera.

Outros antibióticos, porém, agem diretamente no que os especialistas chamam de DNA transportador, estrutura que, de acordo com Paulo Junqueira, monta as moléculas que uma célula bacteriana precisa pra viver. “Induzidos pelos antibióticos, esses DNAs começam a fabricar peças defeituosas, o que não é o suficiente para a bactéria morrer, mas com isso ela não consegue se reproduzir”.

Diferentemente do que muita gente pensa, o neurologista explica que não existe um tempo determinado para que você inicie um novo tratamento com antibióticos. “Se uma infecção não for totalmente tratada, deve-se reiniciar o tratamento, mas preferencialmente com outro antibiótico no qual a bactéria não seja resistente. Por isso é importante que se faça um exame que identifique qual é a bactéria causadora da infecção (chamado antibiograma), e qual o antibiótico mais indicado para trata-la”, diz.

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As consequências desse medicamento ao organismo
Se por um lado os antibióticos ajudam a tratar infecções mais rapidamente, por outro eles acabam eliminando do nosso organismo bactérias boas que atuam na digestão de carboidratos complexos e até na reabsorção de água e nutrientes pelo intestino. Como consequência acabamos desestabilizamos nossa imunidade e forçamos nosso organismo a reconstituir toda a flora intestinal para que essas boas bactérias sejam novamente fermentadas. “Por isso é bom não tomar antibióticos em excesso. Eles causam vários efeitos colaterais e deixam nosso sistema imunológico vulnerável para novas doenças”.

E no futuro?
Quando o assunto são antibióticos, as pesquisas não param. E pelo o que tudo indica, no futuro a melhor solução será encontrar em novas matérias-primas, como algumas espécies de plantas, as substâncias antimicrobianas tão importantes na formulação dos antibióticos. Hoje em dia, entretanto, não tem jeito: a melhor solução para diminuir o uso de antibióticos é blindando a saúde com soluções bem simples, como vacinação em dia, estilo de vida saudável, dieta nutritiva e prática de exercícios físicos regularmente.

Bjs,
Fabi Scaranzi

*Imagens: Shutterstock

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